Os Iniciados no Culto a Ifá

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Para aqueles que receberam em seu Orí, a mão de Ifá, após passarem pelos rituais de iniciação, podem ser considerados portadores de um bem inestimável, com ele reencontrarão o caminho de seu destino primordial, puro, limpo de todas as mazelas que adquirimos durante a vida; é um reencontro com nossa transcendência. Mas, é necessário esclarecer que para fazer jus a este direito também será preciso uma altíssima reconsideração de suas atitudes perante a vida, pois este ser não fará mais parte daquilo que chamamos do inconsciente coletivo que prevalece na raça humana, a partir de então passará a ser ele um indivíduo único, diferenciado, o qual terá de cumprir suas obrigações em relação a Ifá com respeito e dignidade a fim de poder receber o verdadeiro Àse e como conseqüência assumindo perante a si próprio responsabilidades muito grande, que se não cumpridas poderão trazer graves conseqüências.

Ifá em nossa vida

Ifá, é a soma da sabedoria suprema, a cosmogenia e a cosmologia, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens, e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade, a força que conduz a sustentação do planeta vivo. Neste processo tão poderoso, aquele que for iniciado em seu Culto estará agregando a si uma permissão para obtenção de um poder muito maior perante Olódùnmarè, assim existindo a necessidade por parte dos Sacerdotes conhecedores plenos da extensão deste mesmo poder avaliarem o candidato com muita clareza e assim permitindo ou não esta iniciação. Nem todos estão habilitados a carregarem em seu Orí, esta força que liga o ser com o sagrado. Seus Sacerdotes, apoiados nos conhecimentos milenares, carregados por uma cultura de tradições em botânica, mineralogia, zoologia conseguem unir os elementos da natureza à energia vital de cada indivíduo procurando o equilíbrio entre as forças espirituais e materiais de cada um, esta união da ciência com o mundo espiritual precisa de mentes sãs.

A Conduta dos Filhos de Ifá fica assim muito claro, que para estes filhos a conduta é de suma importância, e que haverá a necessidade de muito domínio de suas emoções onde a humildade, a paciência, o caráter, a dignidade, a sabedoria, deverão ser superiores a qualquer tipo de vaidade, prepotência, arrogância, ambição, sendo estas últimas características que poderão ser usadas indevidamente a fim de obter proveito próprio, mas que sem dúvida serão cobradas pela lei universal de ação e reação. Quando se fala que o Òrìsà castiga, é uma inverdade, pois na realidade a maior parte do sofrimento é fruto do desequilíbrio entre a emoção e a razão humana, e conforme as atitudes tomadas perante seus semelhantes as forças que irão reagir em sua vida tanto poderão ser positivas como negativas, portanto serão um fruto do seu bom ou mau Orí, a resposta daquilo que você é. Em nosso mundo Ocidental achamos que o valor do homem está na obtenção somente de bens materiais, e para o consumo destas necessidades não se mede esforços nem os meios de alcançá-los, mesmo que muitas vezes as formas usadas sejam totalmente incompatíveis com as Leis Superiores. Não há respeito nem pela natureza, nem com seus semelhantes. Na África, no entanto existe em seu povo a Consciência Plena dos compromissos que existem entre as forças da natureza e os homens, e que o verdadeiro bem não está em usar estes poderes de uma forma inconseqüente, explicando-se assim sua simples forma de vida, os verdadeiros valores do homem não estão em sua conta bancária, mas em seu Elédà, no uso da sabedoria adquirida não somente para o bem de si próprio mas para manter o equilíbrio do planeta. A terra é a sustentação da vida, todo o mundo físico está sobre ela, carros, asfaltos, prédios, plantação ou qualquer outra coisa, isto tudo faz parte da ilusão do homem, sua maior riqueza está na natureza, sem ar ele não vive, sem terra ele não anda, sem fogo ele não tem progresso, e sem água ele não nasce. O ser humano vive obcecado dentro de suas ilusões, por isto ele adoece, trapaceia, chora, e ri, deixando-se levar por valores que não são dele, mas da condição de uma sociedade, a sua origem pura está perdida em meio a tudo isto e o desequilíbrio se instala em seu Orí, gerando a inveja, a ansiedade, a impaciência, a depressão, ele é um ser desconectado de seu Eu interior (Elédà), sem isto não consegue ouvir sua própria consciência e chegar verdadeiramente a Deus. Quanto mais nos aprofundamos conseguindo entender a grandeza da sabedoria divina, mais distantes estaremos das banalidades, uma vez que a riqueza já está codificada dentro de nossa alma, é uma força sutil que nossa sensibilidade grotesca não consegue perceber, e como resultado não temos paz, felicidade e prosperidade. Antes de qualquer compromisso com Ifá, esta pessoa deve estar informada e preparada para assumir esta conduta… A lealdade com o princípio Divino, estará acima de tudo.