Os guerreiros de Branco

Os guerreiros de Branco

Nascem os maiores guerreiros das terras do Orisá, em um Conto o itan de Ogi-Ogbé/Okaran mostra que existiam três irmãos: Já, Jágun e Ajagunãn. Eram três Guerreiros que pertenciam aos exércitos de Ọbàtálá, lutavam e venciam todas as guerras e batalhas em nome de Òṣàlà e eram os Guardiões deste Òrìṣà. Eram chamados de Guerreiros Brancos, por se vestirem somente com trajes brancos em homenagem a Ọbàtálá. Eram considerados invencíveis por sua bravura e coragem, nunca perderam uma batalha sequer. Sempre muito unidos, nunca se separavam. Mas um belo dia, os três irmãos guerreiros, foram guerrear contra a cidade de Ọ̀ṣun. Ọ̀ṣun com a grande sabedoria dos poderes de Yamin, foi avisada que seu reino seria atacado. Ọ̀ṣun ficou desesperada e foi até Ifá para saber o que faria. Òrúnmìlà mandou fazer um ebó, sacrificar oito Igbis a Òṣàlà e com o casco fizesse um pó e soprasse nas terras de Oṣogbo. Assim Ọ̀ṣun fez, quando os guerreiros chegaram para invadir as terras, eles ficaram tontos e se perderam um do outro. Aí que Jagun foi para as terras de Omolú, Já para as terras de Ifé Ògún, e Ajagunã para as terras de Oṣoguian.

Mas mesmo assim, os três irmãos sempre estão juntos, respondem um pelo outro, eles continuam a serem Guerreiros Brancos, ou seja, são considerados Orixás Funfun, e sempre ligados a Ọbàtálá, seus caminhos se cruzam… os três irmãos Guerreiros continuam nas batalhas, sempre guerreando pela Paz. Deram essa característica guerreira aos seus filhos. É por isso que o culto a Jagun foi assimilado ao de Omolú, sendo que depois disso conta o Itan que ele viveu alguns anos nas terras de Omolú e que lá encontrou uma linda mulher que também não era das terras, mas estava lá por outros motivos, e se apaixonou por ela, tiveram filhos e se amaram muito, e essa linda mulher era Yewa. Lá, ele se juntou com o Òrìṣà Osanyn e passou a ser um grande curandeiro, e em tempos de guerra ele cuidava dos guerreiros feridos com as porções e ervas mágicas que Osanyn o ensinou. Jagun teve uma trajetória muito grande e bonita nas terras de Omolú, mas depois de anos retornou as terras do Ekiti-Efon, onde Ọ̀ṣun era rainha e Osonyan grande guerreiro e protetor do palácio e cidade de Ọ̀ṣun. Conta-se também que Jagun foi às terras de Oṣobo, para destruir a cidade e buscar Ọ̀ṣun, pois Ọ̀ṣun tinha sua cidade onde era rainha Ekiti Efon, então por ordem de Olooke ele foi buscá-la. Depois de isso tudo ter acontecido, Jagun viveu anos nas terras de Omolu, Oṣonyan trouxe Ọ̀ṣun de volta para Ekiti-Efon, por isso muitos acabaram se equivocando ao falar que foi Oṣonyan quem deu as terras de Ekiti para Ọ̀ṣun, mas não foi isso que aconteceu, ele apenas trouxe Ọ̀ṣun de volta a terra onde ela nasceu e era dona junto com Olooke seu pai.

Òrìṣà Olooke vendo o prejuízo que Jagun teve e o tempo que ficou em outras terras, por causa de seu pedido de buscar Ọ̀ṣun, intitulou Jagun Olu (Guerreiro senhor), para retribuir o tempo que Jagun ficou afastado de sua terra que tanto amava (Ekiti). Òrìṣà Jagun foi muito confundido com o culto à Omolu e Obaluaye, e foi por esse motivo que muitos de seus fundamentos se perderam, mas graças à Ọlọ́run, está sendo resgatados todos os preceitos e orôs. Jagun possui caminhos próprios, como Jagun Ọdẹ, Arawe, Agaba e outros… Jagun é um lindo Òrìṣà de grande valor e na verdade seu culto é separado de Obaluayê.