Sire Orixa

Sire Orixa

A música, no candomblé, tem um papel mais significativo que o mero fornecimento de estímulos sonoros aos diversos rituais. Por que tudo o que fazemos dentro candomblé exigem a cantiga (como exemplo na hora de acordar, comer, tomar banho e ate mesmo na hora de dormir) Ela pode ser entendida como elemento constitutivo do culto, dando forma a conteúdos inexprimíveis em outras linguagens, termo aqui entendido como articulação de signos e símbolos. Todos os rituais do culto estão apoiados também na música, que mostra um caráter estruturante das diversas experiências religiosas vividas por seus membros. Do paó (sequência rítmica de palmas usada para reverência) ao toque (xirê), a música continua sendo parte de cada cerimônia, constituindo-a, delimitando situações e ordenando o conjunto das práticas extremamente detalhadas. O mais importante de todos os toques é o da iniciação aonde usamos as mais variadas cantigas e toques para acordar o Orisá. Quando o Bàbálórisá levanta a pena que é usada na cerimônia de iniciação chamada (Okodidé) é a maior festa do xirê onde os toques e cantigas ficam mais fortes ainda.
Cantigas da pena vermelha Okodidé

Ikóòdíde adùpé i íyàwó
Óférèjé ìkó òdíde
AdùpéI íyàwó
Óférèjé
“Tocar candomblé” é um termo comum entre o “povo-de-santo”, indicando que o candomblé e a música se confundem. Por isso, o conhecimento das cantigas e dos ritmos denota prestígio e acesso às instâncias de poder da religião. Sendo a música um elemento sagrado e sacralizante, tanto instrumentos quanto instrumentistas se revestem desta aura, que se revela no tratamento que estes recebem por parte dos membros da comunidade do terreiro.