O Axé

O Axe

Energia mágica, universal sagrada do orisá. Energia muito forte, mas que por si só é neutra. Manipulada e dirigida pelo homem através dos orisás e seus elementos símbolos.

O elemento mais precioso do Ilê é a força que assegura a existência dinâmica. É transmitido, deve ser mantido e desenvolvido, como toda força pode aumentar ou diminuir, essa variação está relacionada com a atividade e conduta ritualística.

A conduta está determinada pela escrupulosa observação dos deveres e obrigações, de cada detentor de asé, para seu orixá e para com seu ilê. O desenvolvimento do asé individual e do grupo impulsiona a força de cada ilê.

“O asé dos iniciados está ligado, e diretamente proporcionam a sua conduta ritualística – relacionamento com seu orixá; sua comunidade; suas obrigações e seu babalorisá”.

A força do asé é contida e transmitida através de certos elementos e substâncias materiais, é transmitido aos seres e objetos, que mantém e renovam os poderes de realização.

O asé está contido numa grande variedade de elementos representativos dos reinos: animal, vegetal e mineral, quer sejam da água – doce ou salgada – da terra, floresta – mato ou espaço urbano -. Está contido nas substâncias naturais e essenciais de cada um dos seres animados ou não, simples ou complexos, que compõem o universo.

Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias:
1) “sangue” vermelho
2) “sangue” branco
3) “sangue” preto

O “sangue” vermelho compreende:
a) do reino animal: o sangue.
b) do reino vegetal: o epô (óleo de dendê), osùn (pó vermelho), oiyn (mel – sangue das flores), favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos (obi, orobô), raízes…
c) Do reino mineral: cobre, bronze, otás (pedras), areia, barro, terra…

O “sangue” branco:
a) do reino animal: sêmem, saliva, emí (hálito, sopro divino), plasma (em especial do igbin – espécie de caracol -), inan (velas)
b) reino vegetal: favas (sementes), seiva, sumo, álcool, bebidas brancas extraídas das palmeiras, yiérosùn (pó claro, extraído do iròsún) ori (espécie de manteiga vegetal), vegetal, legumes, grãos, frutos, raízes…
c) reino mineral: sais, giz, prata, chumbo, otás (pedras), areia, barro, terra…

O “sangue” preto:
a) do reino animal: cinzas de animais
b) reino vegetal; sumo escuro de certas plantas, o ilú (extraído do índigo) waji (pó azul), carvão vegetal, favas (sementes), vegetais, legumes, grãos, frutos, raízes…
c) Reino mineral: carvão, ferro, osun, otás (pedras), areia, barro, terra.

Existem lugares, sons, objetos e partes do corpo (dos animais em especial) impregnados de asé; o coração, fígado, pulmões, moela, rim, pés, mãos, rabo, ossos, dente, marfim, órgãos genitais; as raízes, folhas, água de rio, mar, chuva, lago, poço, cachoeira, orô (reza), adjá (espécie de sineta), ilús (atabaques).

Toda oferenda e ato ritualístico implica na transmissão e revitalização do asé. Para que seja verdadeiramente ativo, deve provir da combinação daqueles elementos que permitam uma realização determinada. Receber asé significa, incorporar os elementos simbólicos que representam os princípios vitais e essenciais de tudo o que existe. Trata-se de incorporar o aiyé e o orún, o nosso mundo e o além, no sentido de outro plano. O asé de um ilê é um poder de realização transmitido através de uma combinação que contém representações materiais e simbólicas do “branco”, “vermelho” e “preto”, do aiyé e orún. O asé é uma energia que se recebe, compartilha e distribui, através da prática ritual. É durante a iniciação que o asé do ilê e dos orixás é “plantado” e transmitido aos iniciados.

A Iyálorisá é ao mesmo tempo iyálasé, zeladora dos igbás (assentos – representação material do orisá na terra, local específico para receberem suas oferendas, local que se entra em comunhão com os orisás), tudo relacionado aos orisás, zelar pela preservação do asé que manterá viva e ativa a vida do ilê.